Começa discussão dos critérios de circulação para quem cata material reciclável no Centro, como horários, respeito ao tráfego, leis de posturas e condições de trabalho
| Glória Tupinambás – Estado de Minas |
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Jackson Romanelli/Especial EM
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Belo Horizonte começa a discutir, nesta terça-feira, novas regras para a circulação de catadores de materiais recicláveis na Região Central. Os impactos da atividade no trânsito da capital serão o foco do debate, que vai analisar a possibilidade de mudança no horário de coleta, alterações no modelo dos carrinhos usados para o transporte de papel, papelão e outros produtos reaproveitáveis, a necessidade de respeito às leis de trânsito e ao Código de Posturas e as condições de trabalho da categoria. Durante a reunião, marcada para as 14h, no auditório do Terminal Rodoviário, a prefeitura vai apresentar um levantamento sobre o perfil dos cerca de 500 catadores que atuam na cidade.
O estudo, que traça um diagnóstico da situação dessas pessoas, foi feito pela BHTrans e pela Secretaria Municipal de Administração da Regional Centro-Sul, em 2005, e aponta que 78% dos catadores são do sexo masculino. Grande parte deles (22%) tem idade entre 41 e 50 anos, 12,5% deles têm entre 51 e 60 anos e 4% têm mais de 61 anos. Eles puxam nos carrinhos, em cada viagem pelas ruas e avenidas da cidade, uma média de 500kg a 700kg de materiais recicláveis.
A pesquisa ainda mostra que 76,6% deles têm dependentes na família, sendo que 43,4% têm até três filhos, 19,6% são pais de quatro a seis filhos, e 6,6% têm mais de sete filhos. A maioria dos catadores – 83,7% – já freqüentou a escola, sendo que 75,5% sabem ler e escrever com fluência. Com relação à raça, o diagnóstico indica que 55% são pardos, 29% negros e 12% brancos, sendo o restante não identificado.
A discussão, que deve reunir representantes da prefeitura, das associações de catadores e dos donos de depósitos de material, faz parte do Fórum de Mobilidade Urbana da Área Central de BH, que propõe medidas para desafogar o trânsito na região. “Hoje, assistimos a uma série de irregularidades cometidas pelos catadores, como transitar na contramão de direção, na faixa da esquerda e em horários de pico, fazer conversões proibidas e usar carrinhos sem padronização. Há também muitos idosos trabalhando nas ruas e crianças nos depósitos, o que é inaceitável. Nosso objetivo é abrir a discussão sobre esses problemas com a comunidade”, disse o assessor da presidência da BHTrans, Francisco Maciel.
Entre as sugestões que serão propostas pela empresa, estão a criação de roteiros onde a coleta e circulação serão permitidas em horários predeterminados e a padronização das medidas de largura, altura e capacidade de carga dos carrinhos. “Queremos buscar uma melhor relação dos catadores com o ambiente urbano, pois o trabalho deles é fundamental para a geração de renda e o reaproveitamento de materiais, que iriam para o aterro sanitário. Discussões semelhantes foram feitas para restringir as operações de carga e descarga no Hipercentro e para mudar a localização do terminal rodoviário, medidas que também são importantes para definirmos o futuro do trânsito na região”, acrescentou Maciel.
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