Equipamento nacional pode baratear tratamento

      

Maurício Macedo

O alto custo do tratamento de câncer é um dos maiores empecilhos para ampliar o combate à doença, que causa um grande número de mortes no Brasil. Mas algumas ações têm buscado baratear o custo, trocando equipamentos importados por similares nacionais.
Uma delas é a criação de um novo imobilizador para radioterapia e diagnóstico por imagem, construído em poliestireno de alto impacto por Luciano Pighinelli, engenheiro de plásticos. Enquanto o produto feito no exterior com fibra de carbono é vendido entre US$ 4 mil e US$ 6 mil, o modelo feito na Ulbra de Canoas tem um custo de produção de apenas US$ 100. “A redução no preço poderá contribuir para socializar o tratamento para os doentes que recorrem ao Sistema Único de Saúde (SUS)”, destacou.
O equipamento, usado para imobilizar o paciente, serve para que o feixe com alta concentração de raios-x incida somente na região a ser tratada. No caso, o invento de Pighinelli é usado para radioterapia em tumores da região do tronco, por exemplo, o câncer de mama, considerado a principal causa de morte pela doença entre as mulheres gaúchas. “A falta de uma imobilização apropriada pode acabar comprometendo o tratamento, inclusive causando graves lesões em outras regiões do corpo”, explicou.
A radioterapeuta Rosemarie Stauchmidt concorda com o engenheiro. A médica informou que o projeto-piloto de Pighinelli está sendo testado no hospital Santa Rita. Os resultados do estudo, que está sendo acompanhado por uma comissão de ética, devem ser conhecidos até o final do ano. “A perspectiva de um custo menor pelo equipamento deve ajudar a estender um tratamento com segurança a um público que não tem condições de pagar”, afirmou.
Em média, o hospital do Complexo da Santa Casa realiza diariamente cerca de cem aplicações de radioterapia em pacientes com câncer de mama. “Cada sessão demora em torno de cinco minutos. Por isso é necessário que o doente esteja bem imobilizado para evitar algum tipo de lesão fora da área a ser tratada”, informou Rosemarie.
O engenheiro aguarda os resultados dos testes para buscar parcerias na indústria. A intenção é fabricar o imobilizador em larga escala. Segundo ele, o setor de saúde sofre com a falta de equipamentos que possam baratear outros tipos de tratamento. 

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